ENTREVISTA COM AUGUSTO CURY SOBRE O FILME “O VENDEDOR DE SONHOS”

By on 13 de dezembro de 2016

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Oi gente! Tudo bem?

Já contei pra vocês o quanto eu gostei do filme “O vendedor de sonhos”, no  post anterior né, e por isso mesmo fiquei muito feliz com a oportunidade que tive para entrevistar seu autor, Dr. Augusto Cury.

Que pessoa fantástica! De uma calma e uma sabedoria, além da simpatia, Augusto Cury bateu um papo comigo sobre o filme “O vendedor de Sonhos”, baseado em seu livro de mesmo nome.

O Mestre (interpretado pelo autor Cesar Troncoso) é um mendigo que, devido ao seu passado, anda pelas ruas vendendo sonhos. O filme começa com o personagem Julio Cesar (interpretado por Dan Stulbach) tentando se jogar do alto de um prédio. O Mestre, vendo aquela cena, convence Julio Cesar a não praticar suicídio. A partir daí, Julio Cesar passa a ser mais um seguidor do Mestre, o qual tenta mostrar que a sociedade em que vivemos está decadente e corrompida. Bom, não vou contar toda a história rsrsr

No filme, Augusto Cury consegue criticar a sociedade de uma forme leve e impressionante, arrancando lágrimas e sorrisos dos espectadores.

1 – O senhor é o autor mais lido da última década e o livro que deu origem ao filme foi publicado em cerca de 70 países. O senhor acredita que o filme fará o mesmo sucesso? Qual é a expectativa?

Augusto Cury: “É incrível né, realmente ele pode causar um impacto internacional para contribuir para a humanidade. O meu sonho é que ele se torne um dos filmes mais poderosos da história do cinema mundial, não apenas para emocionar e fazer rir e chorar a plateia, mas, em destaque, para prevenir transtornos emocionais, incluindo o suicídio e também reescrever a história entre pais e filhos, entre casais e do ser humano com ele mesmo”.

2 –É impossível chegar ao meio do filme e não se perguntar se realmente vivemos em um manicômio global, como sugere o próprio mestre. O senhor acha que há uma luz no fim do túnel? Como tornar as pessoas mentalmente saudáveis nessa sociedade estressante?

Augusto Cury: “Em primeiro lugar nós estamos preocupadíssimos porque a humanidade tomou o caminho errado. Nós esperávamos uma geração mais alegre e estamos diante da geração mais triste de todos os tempos. Um bilhão e 400 milhões de pessoas cedo ou tarde desenvolverão o último estágio da dor humana que é um tipo de depressão. Além disso, uma em cada duas pessoas ou mais de 3 bilhões de seres humanos desenvolverão um transtorno psiquiátrico, não apenas depressão, mas também síndrome do pânico, doenças psicossomáticas, ansiedades, transtornos alimentares, como bulimia, anorexia, vigorexia, dependência de drogas, transtorno obsessivo compulsivo e assim por diante. A situação é muito grave e uma em cada duas pessoas, se você falar em termos quantitativos, talvez nem 1% deve se tratar, vai ter recursos para se tratar ou ter uma saúde pública em psiquiatria e psicologia disponível para eles. O que indica que na era da indústria do haver, na era digital, do acesso à internet, da democratização das informações, nós não estamos aprendendo a nos conectar conosco, vivemos a mais dramática solidão. Se a sociedade me abandona, a solidão é suportável. Mas, se eu mesmo me abandono, ele é intolerável. E o filme o vendedor de sonhos ele propõe uma nova dinâmica. Ele mostra que a sociedade de consumo está num processo de falência, porque as pessoas consomem produtos e serviços mas não aprendem a consumir ideias nem ferramentas para proteger a sua mente e gerenciar a sua emoção e ser autor de sua própria história. Portanto, o filme tem essa proposta. De mostrar que mesmo pessoas do mais alto nível intelectual, social e financeiro como era o mestre, ele acertou no trivial e errou no essencial. E ele, por fim, acabou vivendo o maior drama de sua história e ele teve que se reescrever  para construir os melhores textos nos seus dias mais dramáticos. Então, aí é uma luz no fundo do túnel. Nós precisamos de gestão da emoção. Precisamos ensinar crianças e adolescentes e universitários no mundo todo que não podemos viver só em função do consumo, ser um número de identidade, de passaporte ou de cartão de crédito. Temos que ser seres humanos complexos e completos, capazes de filtrar fatos estressantes e se colocar no lugar do outro, de pensar antes de agir e principalmente de ter resiliência. (…) Em 2002, 12% dos jovens de 15 a 30 anos faziam parte de uma geração nem-nem. Elas não trabalham, não procuram emprego e não estudam. E hoje nós pioramos. Em 2015 passamos para 25%. ¼ dos jovens estão completamente perdidos. É uma situação gravíssima. (…) E um dos motivos também e a necessidade neurótica do poder dos políticos que gerou no inconsciente coletivo desânimo sem precedentes, ou seja, a corrupção gerou um estrago no ânimo dessa nova geração muito maior do que o estrago nas finanças da Petrobrás ou até do país. Então, o futuro está bem comprometido e as pessoas não estão percebendo. Mas é possível treinar todos os dias a nossa emoção para impugnar cada pensamento perturbador para confrontar e discordar de cada reação de desânimo, timidez e insegurança e para escrevermos os capítulos mais importantes de nossas vidas mesmo quando o mundo desaba sobre nós”.

3- A que o senhor atribui a doença dessa sociedade globalizada e desumanizada, desprovida de valores?

Augusto Cury: “Também  à crise financeira e política de todo o país e em todo o mundo. A juventude não crê em suas lideranças mais. Mas isso não é só no Brasil não. Isso está ocorrendo nos Estados Unidos. (…). Mas isso é muito sério. A desesperança faz com que as pessoas optem por líderes que não têm maturidade e nem pensam como humanidade e nem pensam a médio e longo prazo mas sim em soluções mágicas. Por isso, o filme o vendedor de sonhos vem trazer esperança numa vida tão breve, assombrosamente curta como gostas de orvalhos. Nós precisamos celebrar mais os acertos do que apontar menos os erros. Nós precisamos aplaudir mais os nossos filhos e critica-los menos e precisamos transferir a nossa biografia, ou seja, falar das nossas lágrimas para que nossos filhos e nossos alunos aprendam a chorar na vida. Porque só transferir regras e comportamentos e manuais de ética, quando nós o fazemos, nós estamos aptos a lidar com máquinas, mas não para torna-los resilientes que creem na sociedade. A humanidade está sendo colocada em xeque como nunca foi colocada”.

4 –O mestre tem uma sabedoria diferenciada das outras pessoas. Não porque ele fala coisas que ninguém sabe. As pessoas sabem, mas não param para pensar nisso. E o mestre, diante do que ele passou, consegue ver onde estão as coisas boas da vida.

Augusto Cury: “Você tem toda razão. A vida se tornou um rolo compressor tão grande que nós esquecemos das coisas essenciais. Nós valorizamos o trivial, valorizamos nos preocuparmos demais, valorizamos roupas de marca, celulares, acesso às redes sociais e esquecemos de nos tornar seres humanos em construção, que busca o mais importante endereço. O endereço dentro de si mesmo. O filme o vendedor de sonhos fala desse protagonista, desse mestre intrigante e apaixonante que toca as pessoas com seu olhar e com suas palavras porque leva os personagens e também os espectadores a se mapearem, a olharem para dentro de si. (…) Esse filme tem essa tônica. De levar o ser humano a encontrar a sua essência”.

5 –  Considero o filme bastante impactante. Eu chorei e ao mesmo tempo sorri em diversos momentos. Acredito que seja pelo fato de nos motivar a refletir sobre nossas próprias vidas e o que estamos fazendo com ela. Mas, afinal, a obra é um romance, ficção, drama ou auto-ajuda?

Augusto Cury: “É difícil classificar. É um filme altamente questionador do sistema. Ele critica a sociedade de consumo ao máximo. Então, ele é um filme sócio-político sério, mas ele é leve porque leva as pessoas a reescrever sua própria história. Não tem nada a ver com auto-ajuda. Tem a ver com auto-conhecimento. Tem a ver com a capacidade do ser humano encontrar a sua própria essência”.

6 –Como foi a escolha do mestre? O senhor participou da escolha do ator?

Augusto Cury: “Participei da escolha. Escolhemos a dedo um ator que era desconhecido para fazer o papel de mestre”.

7 – Mas por que um ator uruguaio? O César Troncoso é incrível, mas por qual razão optaram por uma ator desconhecido?

Augusto Cury: “Exatamente. Ele ganhou prêmios internacionais, e enfim, deu o resultado que deu”.

Então, se você ainda não viu o filme, recomendo demais! Vale muito a pena! Tenho certeza que vai se impressionar tanto quanto eu!

Super beijo,

Caro

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